sábado, 20 de junho de 2015

Os gargalos de infraestrutura podem virar o motor de crescimento?

Por Marcelo Pellegrini, na Carta Capital

Em época de ajuste fiscal e desaceleração econômica, parece não haver uma solução simples para sair da crise no curto prazo. Para o governo, a aposta para a retomada é a infraestrutura, como ficou claro no lançamento do Programa de Investimentos em Logística(PIL). Presente no evento Diálogos Capitais: Infraestrutura, promovido por CartaCapitalnesta segunda-feira 15, em São Paulo, o ministro da Secretaria de Portos, Edinho Araújo, detalhou como o governo quer transformar deficiências históricas brasileiras em soluções.

"O Brasil possui gargalos de infraestrutura que dificultam a atividade econômica. Ao investir na solução desses problemas, melhoramos nossa competitividade no longo prazo e movimentamos a economia com obras", disse o ministro. Para tanto, o PIL, anunciado na terça-feira 9, é peça-chave.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Malafaia, Feliciano e os anticristos

Por Paulo Fonteles Filho, em seu blog:

Há mais de dois mil anos, Roma, a cidade eterna, tinha os domínios do mundo. Escravizava povos e sociedades, tinha o terrível Herodes a seu serviço, muitos serviam de espiões, milhares de crianças foram mortas porque se anunciava o Messias.

Toda criança morta, não importa se judeu ou árabe era pela simples ameaça do Messias. Decerto que o sorriso de uma criança é uma ameaça para um tirano e isso vale para aqueles tempos, como para os atuais.

O fato é que o Messias, por sorte ou graça divina, como queiram, se tornou num dos homens mais importantes da história universal e a fase mais bela de sua igreja foi quando perseguida e vivia nas catacumbas, em luta pela justiça e liberdade, às vezes com armas nas mãos.

Crucificaram o homem e lhes deram a longevidade, tenho dúvidas sobre a eternidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O futebol feminino não sai na mídia

Por Najla Passos, no site Carta Maior:

Noite de terça-feira (9), Montreal, Canadá. Abertura da Copa do Mundo de Futebol Feminino. A seleção brasileira estreia com vitória de 2 x 0 sobre a Coreia do Sul. Mais do que isso, registra dois feitos históricos. No início do 2º tempo, Marta, cinco vezes eleita a melhor jogadora do mundo, balança a rede em cobrança de pênalti, atinge a marca 15 gols em mundiais e se torna a maior artilheira da história campeonato. Antes disso, ainda no 1º tempo, Formiga, 37 anos, 20 de seleção brasileira, abre o placar e se transforma na jogadora mais velha a marcar gol em mundiais.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

As adversidades enfrentadas por Bachelet

Por Kjeld Jakobsen, na revista Teoria e Debate:

O governo chileno começou o ano enfrentando uma série de obstáculos políticos que prejudicaram enormemente a popularidade da presidenta Michele Bachelet. O índice de desaprovação de seu governo alcançou 63%, no início do mês de maio, embora algumas semanas depois tenha recuado para 56%. Já o índice de aprovação, que chegou a apenas 28%, agora atinge 33%.

As razões para isso são várias. O primeiro fato negativo que veio a público em fevereiro envolveu o filho mais velho da presidenta, Sebastián Dávalos, e sua esposa, Natalia Compagnon. Ele participava do governo como “gestor de obras sociais”, função normalmente desempenhada por uma primeira-dama, e ela, empresária do ramo imobiliário, se associou a uma empresa do setor, a Caval, na compra de vários terrenos. Para pagá-los, Natalia contou com empréstimo concedido pelo Banco do Chile em reunião com seu vice-presidente, acompanhada de seu marido, um dia depois da promulgação da vitória eleitoral da presidenta Bachelet.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Os juros sobem. O desemprego também!

Por Altamiro Borges, em seu Blog

Pela sexta vez consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,5% – de 13,25% para 13,75% ao ano. A decisão ortodoxa, que terá forte impacto na geração de emprego e renda, foi tomada por unanimidade nesta quarta-feira (3). Com esta nova alta, os juros são os maiores desde dezembro de 2008. Os banqueiros e rentistas, como já era de se esperar, comemoraram a decisão, afirmando que ela é vital para derrotar o “fantasma da inflação”. Já as centrais sindicais e as entidades da indústria criticaram a sexta elevação da Selic, argumentando que a inflação não dá sinais de descontrole e que a elevação dos juros retrai o consumo e o crédito, reduz a produção e, como efeito inevitável, gera mais demissões.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Estatais e parlamentarismo de achaque

Por Davidson Magalhães, no Blog do Miro

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, ambos do PMDB, apresentaram nesta semana um anteprojeto de lei que dispõe sobre a responsabilidade na gestão empresarial das sociedades de economia mista e empresas públicas no âmbito da União.

Trata-se de um anteprojeto que se aproveita da crise desencadeada pela seletiva Operação Lava Jato. A pretexto de dar transparência e buscar eficiência na gestão das empresas estatais é mais uma iniciativa legislativa lesiva aos interesses nacionais. E o seu principal alvo é a Petrobras.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A Espanha das ruas às urnas: e agora?

Por Lucia Nader, na revista CartaCapital:

Há uma semana a Espanha acordou caminhando à esquerda. Ada Colau foi eleita prefeita de Barcelona e, em Madri, Manuela Carmena foi a segunda colocada e deve ser a prefeita de fato. Ada é ativista antidespejo e uma das protagonistas do movimento 15M e dos protestos de 2011, que fizeram tremer as praças espanholas. Manuela é ex-juíza e defensora dos direitos humanos desde a luta contra a ditadura franquista. As duas representam uma renovação na política espanhola e trazem ao poder o eco das vozes que tomaram as ruas do País há 4 anos. Trazem também um ar fresco para as eleições gerais que acontecerão em novembro e a um mundo descrente na política.

Mas o que há de realmente novo na terra do rei Juan Carlos e de seu filho Felipe VI?

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Syriza e Podemos estão em xeque

Por Boaventura de Sousa Santos, no site Outras Palavras:

Escrevo de Atenas, onde me encontro a convite do Instituto Nicos Poulantzas para discutir os problemas e desafios que enfrentam os países do sul da Europa e as possíveis aprendizagens que se podem recolher de experiências inovadoras tanto na Europa como noutras regiões do mundo. Convergimos em que o que se vai passar nos próximos dias ou semanas nas negociações da Grécia com as instituições europeias e o FMI serão decisivas, não só para o povo grego, como para os povos do sul da Europa e para a Europa no seu conjunto.

domingo, 31 de maio de 2015

Futebol e a democratização da mídia

Por Breno Altman, em seu blog:

A ideia é simples, de inspiração argentina.

1. O governo amplia o orçamento da TV Brasil, nossa ainda mirrada companhia pública de televisão, em algo entre 800 milhões e 1,2 bilhão de reais.

2. O governo negocia com os clubes e a CBF que somente haverá negociação da dívida fiscal se a TV Brasil tiver opção preferencial para compra dos direitos de transmissão de todas as séries do campeonato brasileiro de futebol e dos jogos da seleção.

3. O Ministério das Comunicações, por portaria, obriga que a TV Brasil ocupe um dos quinze primeiros lugares do dial, tanto analógico quanto digital, em todas as cidades.

sábado, 30 de maio de 2015

Concentração impede pluralidade na mídia

Por Daniel Fonsêca, no site do FNDC:

A concentração de mercado é o sintoma maior do diagnóstico dos sistemas de comunicações no Brasil, gerada por dois fatores principais: a falta de limites claros no licenciamento de outorgas de rádio e televisão e a chamada “propriedade cruzada”, que ocorre quando empresas de radiodifusão, que já dominam a infraestrutura (transmissão) e o conteúdo (produção) dos canais, também detêm o controle de meios em outros segmentos de mercado, como jornais e revistas. Esse cenário viola o Art. 220 da Constituição Federal, que proíbe a formação de monopólio ou de oligopólio no setor. E a consequência principal de tamanha concentração é a ausência da pluralidade e da diversidade na programação midiática.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

"Isso não é vida", diz operário no Catar

Por Deutsche Welle, na Carta Capital

Pouca coisa acontece nas ruas da periferia de Doha. De tempos em tempos, passa um caminhão ou um ônibus, levantando poeira. E logo a tranquilidade retorna ao bairro industrial da capital do Catar. Mais de meio milhão de pessoas vivem ali, ao lado de fábricas, galpões e unidades industriais. Há alojamentos de trabalhadores por todos os lados.

É neste lugar que moram os imigrantes que trabalham nas obras que remodelam o país para a Copa do Mundo de 2022. Essas pessoas vêm do Nepal, Bangladesh, Índia ou Filipinas. Apesar de ser uma área bastante povoada, ela tem uma aparência triste, neste país tão moderno e dinâmico. Edifícios cinzentos dominam a paisagem, cortada por ruas, em geral, não pavimentadas. Eles se encontram entre alojamentos de três e quatro andares – em grande parte, sem janelas. Não é um lugar atraente para trabalhar. Menos ainda para morar.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

A mídia de joelhos na Grécia

Por Valia Kaimaki, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:


Os Estados Unidos, leilões lançados em novembro de 2014 e destinados a atribuir cerca de 1,5 mil frequências do espectro hertziano atingiram US$ 45 bilhões [1]. Nada comparável à Grécia. Ali as redes de televisão e de rádio privadas dispõem de licenças ditas “provisórias” desde 1989. E não pagaram um único centavo ao Estado.

Há alguns anos, o jornalista Paschos Mandravelis resumia assim a situação: o funcionamento dos meios de comunicação gregos não se inscreve no quadro de um mercado da informação, e sim no de um “mercado da política” [2]. A proximidade entre esses dois mundos surgiu, aliás, em plena luz do dia, em novembro de 2011, quando o diretor do jornal diárioTa Néa, Pantelis Kapsis, deixou o cargo para se juntar ao governo de Lucas Papademos, um ex-banqueiro. Como ressaltou na época o jornalista Nikos Smyrnaios, a família Kapsis nem por isso desaparecia da imprensa: Manolis, o irmão de Pantelis, “atua[va] todos os dias no jornal televisivo da Mega Channel, onde, como comentador político, apoia[va] esse mesmo governo” [3].

terça-feira, 26 de maio de 2015

Médicos "fantasmas". Nenhum é cubano

Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:

A partir de auditoria da Controladoria Geral da União (CGU), a Polícia Federal deflagrou na quinta-feira (21) a Operação São Lucas, no Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Dez médicos serão indiciados pelos crimes de estelionato qualificado, falsidade ideológica, prevaricação e abandono da função pública. Os “doutores” ganham salários de até R$ 20 mil como funcionários públicos concursados, mas pouco apareciam no trabalho, ou apenas batiam o ponto e iam embora atender em consultórios ou clínicas privadas, deixando desfalcado o atendimento na rede pública. O esquema incluía fraude nos cartões ponto e outras pessoas podem estar envolvidas.

A CGU cruzou dados, identificou produtividade muito baixa de alguns médicos, realizando poucos procedimentos e atendimentos, incompatível com a jornada de trabalho, e constatou dez casos mais graves que há muitos anos recebiam salários praticamente sem trabalhar, segundo o delegado federal Maurício Todeschini.

domingo, 24 de maio de 2015

Chico Buarque e a maioridade penal

Por Altamiro Borges, em seu blog

A mobilização contra o projeto que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos ganha força na sociedade. Nesta quinta-feira (21), o compositor e cantor Chico Buarque aderiu à campanha. Uma foto foi postada na página “Amanhecer contra a redução”, no Facebook, com o artista vestindo uma camiseta com a estampa: “Redução não é a solução”. Graças a uma manobra do lobista Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, o projeto de lei sobre o tema será votado nos próximos meses. A bancada da bala e setores da mídia estão em plena ofensiva pela sua aprovação.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A reforma política no Chile

Por Antonio Luiz M. C. Costa, na Carta Capital

Há males que vêm para o bem quando se sabe fazer uso deles. Michelle Bachelet foi acossada por uma denúncia de tráfico de influência por parte de seu filho e pela revelação de financiamentos ilegais e contratações suspeitas de políticos – na maioria da direita, mas também figuras importantes da sua coalizão e um de seus ministros – por grupos financeiros e de mineração como Luksic, Penta e Soquimich.

A imagem de um Chile isento de corrupção mostrou-se tão ilusória quanto a ideia dos anos 1960 de que suas Forças Armadas eram “profissionais” e não cederiam à tentação do golpismo latino-americano. Foi seriamente prejudicada a popularidade da presidenta, mas isso a ajudou a impulsionar a reforma política, incompleta desde o fim da ditadura.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

“Lampions League”: viva o futebol nordestino!

Por Caio Botelho

No último dia 29 de abril a Arena Castelão, em Fortaleza, recebeu nada menos do que 63.399 pagantes para o último jogo da final da Copa do Nordeste, entre Ceará x Bahia – o maior público do ano no futebol brasileiro¹. No jogo anterior, a Arena Fonte Nova, em Salvador, teve sua carga de ingressos esgotada em menos de 24 horas após o início das vendas. Foi uma final digna de um grande torneio como a Copa do Nordeste, que a irreverência do povo nordestino tratou de apelidar carinhosamente de “Lampions League”, em referência ao líder cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e à Liga dos Campeões da Europa (Champions League).

A equipe cearense levou o título depois de jogar melhor e vencer as duas partidas, inclusive a que foi disputada na Fonte Nova, lotada por apaixonados torcedores do Tricolor da Boa Terra. O primeiro placar foi 1 x 0 e o segundo 2 x 1, sempre favoráveis ao “Vozão”.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Em todas as lutas e campanhas, unidade é a bandeira da esperança

Editorial do Portal Vermelho

No distante ano de 1966, a 6ª Conferência Nacional do Partido Comunista do Brasil fazia um abrangente pronunciamento sobre a ditadura miliar brasileira que se instalara dois anos antes. Com percuciência, o documento discorria sobre as causas do golpe de Estado, responsabilizando as classes dominantes retrógradas, o imperialismo estadunidense e os generais fascistas e vende-pátria. Sem ilusões, advertia que o regime vinha para ficar e fazia um contundente chamamento à luta. Com o sugestivo título de “União dos brasileiros para salvar o país da crise, da ditadura e da ameaça neocolonialista”, o documento apontava a necessidade da mais ampla unidade do povo brasileiro como caminho a percorrer na luta democrática e anti-imperialista.

A ideia vingou. Nas diferentes etapas que atravessou, a luta contra a ditadura acabou alcançando a vitória, porque o povo se uniu sob bandeiras amplas, sendo o mais significativo exemplo disso a mobilização pela realização de eleições para presidente da República, a famosa campanha “Diretas Já”.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A África para além dos jornais

A imagem da África ante a opinião pública mundial é baseada em exageros, equívocos e preconceitos. Os principais investidores dos países mais ricos sabem disso há tempos e o Brasil, antes um parceiro privilegiado do continente, vem perdendo espaço para outros emergentes, como a Turquia. Essa é a avaliação de Carlos Lopes, secretário-adjunto da ONU, que em abril esteve no Brasil por uma semana para uma série de compromissos, entre eles a formação do Conselho África, iniciativa do Instituto Lula, congregando historiadores, diplomatas e estudiosos do continente.

Natural da Guiné-Bissau, Lopes é o responsável maior pela África nas Nações Unidas e divide a sede da organização na Etiópia com outros 2 mil funcionários. “Adis-Abeba é a Genebra da África, lá também está a sede da União Africana, com outros 2,5 mil funcionários”, explica.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Soldados israelenses denunciam abusos durante operação militar em Gaza

Por Ana Garralda, do El Diário, publicado no Opera Mundi

Entrar em uma suposta "zona de guerra" da qual, segundo os comandos militares, a população civil já havia sido evacuada. Disparar. E depois ver idosos, jovens e pessoas com deficiência no território. Ou atacar com tanques qualquer alvo, aleatoriamente, como vingança pela morte de um companheiro. Essas são algumas das denúncias reunidas em um informe da organização israelense Breaking the Silence [Rompendo o Silêncio, em português], por meio da qual 70 oficiais e soldados de Israel reportam os abusos cometidos por seu Exército na última grande ofensiva militar sobre Gaza, em meados do ano passado.

A operação Margem Protetora, realizada pelo Exército israelense na Faixa de Gaza durante os meses de julho e agosto de 2014, acabou sendo mais devastadora do que as duas operações anteriores combinadas. Segundo estatísticas compiladas pela delegação do Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária (OCHA) da ONU em Jerusalém, o número de mortos do lado palestino superou 2.100, dos quais cerca de 500 eram menores de idade. Dos cerca de 11 mil feridos, mais de 3.000 são crianças e adolescentes.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Emir Sader: "vencer a batalha de ideias"

Por Emir Sader, na Carta Maior

“E quando, finalmente, a esquerda chegou ao governo, tinha perdido a batalha das ideias. A afirmação de Perry Anderson sintetiza o maior desafio para os que queremos superar e substituir o neoliberalismo em todas suas dimensões.

Significa que o neoliberalismo fracassou como proposta econômica, o que abre a possibilidade para que a esquerda apareça como alternativa de governo. Quando chega ao governo, tem que enfrentar toda a herança maldita do neoliberalismo: recesso, enfraquecimento do Estado, desindustrialização, fragmentação social, entre outras coisas.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Petrobras, a caminho da retomada

Por Carlos Drummond, na Carta Capital

O balanço de 2014 apresentado em 22 de abril pela diretoria da Petrobras retrata umaempresa afetada pela corrupção organizadapor executivos de 27 empresas fornecedoras e alguns dos seus ex-diretores, mas capaz de controlar a situação e de encaminhar o seu futuro. Distante, portanto, de uma organização inviabilizada por anos de corrupção e incompetência, conforme a versão predominante. Os auditores externos independentes PricewaterhouseCoopers emitiram um parecer de aprovação dos demonstrativos sem ressalvas, um atestado da fidelidade do retrato contábil à realidade da empresa. Os critérios utilizados pela empresa estão alinhados às disposições tanto da Comissão de Valores Mobiliários quanto da sua equivalente americana, a Securities and Exchange Commission, órgãos encarregados de fiscalizar os mercados de capitais do Brasil e dos Estados Unidos.

sábado, 9 de maio de 2015

Reforma política na Argentina

Por Marcos Coimbra, na Carta Capital.

No Brasil, pouca gente se interessa pelo assunto, mas a Argentina fará, daqui a seis meses, importantes eleições nacionais. Em outubro, os eleitores escolherão o presidente da República, um terço dos senadores e metade dos deputados. Se necessário, haverá um segundo turno da etapa presidencial em novembro.

Especialmente na escolha para o Executivo, será uma eleição de grande significado. Nela, o kirchnerismo terá como antagonistas uma candidatura de direita e outra com raízes no mesmo peronismo de onde provém. Tudo o que está sendo feito desde 2003, quando Néstor Kirchner venceu a eleição, até hoje, depois de dois governos de Cristina, pode ser interrompido. A semelhança conosco em 2014 não é mera coincidência.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O jornalismo claudicante no Brasil

Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

A imprensa brasileira parece ter entrado em rota de ziguezague no fim de semana prolongado. Na falta de equipes adequadas à cobertura dos principais acontecimentos do período, que incluiu o feriado do Dia do Trabalho, a solução para preencher o tempo e o espaço foi fazer uma seleção de declarações, explorar factoides e requentar acusações já exploradas em outros carnavais. É como se a redação fosse um corpo com uma perna mais curta que a outra.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O antipetismo nas instituições do Estado

Por Breno Altman, em seu blog:

Três fatos recentes, desenrolados no coração judicial e repressivo do poder público, desnudam a natureza classista e degenerada do Estado oligárquico.

O primeiro destes eventos foi a prisão preventiva do tesoureiro petista, João Vaccari Neto, por ordem do juiz Sérgio Moro, no curso da Operação Lava Jato.

Além de desnecessária, pois o réu jamais se furtou a atender demandas do inquérito ou obstaculizou seu trâmite, revela-se discricionária. Medidas desse naipe não afetaram a nenhum dos demais tesoureiros de grandes partidos, embora tenham arrecadado doações de valores semelhantes com as mesmas empresas.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Uruguai inspira movimento contra a redução da maioridade penal

Por Marsílea Gombata, na Carta Capital

Para Verónica Silveira, educadora que participou da campanha #NoaLaBaja, sair do embate entre esquerda e direita atrai outros setores para o debate.

Foram quatro anos incansáveis de campanha. O objetivo, em princípio, parecia inalcançável: reverter o quadro de mais de70% dos uruguaios favoráveis à redução da maioridade penal. A espinhosa tarefa, no entanto, deu certo. Chegada a data do plebiscito que decidiria se a nova idade penal iria de 18 para 16 anos, 53% da população disseram “não” nas urnas em 2014.