Por Paulo Kliass, no jornal Brasil de Fato:O processo eleitoral que terminou por reconduzir Dilma Rousseff a cumprir mais um mandato à frente da Presidência da República foi marcado, mais uma vez, pela pressão escancarada exercida pelos interesses vinculados ao financismo e aos grandes meios de comunicação.
A inexistência de uma regulamentação clara e objetiva que ofereça um modelo democrático, transparente e pluralista contribui para a profusão de uma prática carregada de excessos, onde a grande imprensa se habituou, desde sempre, ao jogo da manipulação da opinião pública. Sob o argumento rasteiro da defesa da liberdade de informar e da denúncia da prática da censura, as poucas famílias detentoras do oligopólio da informação usaram e abusaram da tentativa de promover um golpe político em pleno processo eleitoral.
É bem verdade que o comportamento dos sucessivos governos, desde a posse de Lula em 2003, tem contribuído para aprofundar esse clima de impunidade. Ao promover a continuidade do modelo de transferência de verbas bilionárias relativas à publicidade oficial para os grupos midiáticos tradicionais, o aceno foi o da manutenção dos privilégios. Os dirigentes de tais conglomerados empresariais foram sendo homenageados de forma sistemática, na figura de indivíduos de sobrenomes emblemáticos como Marinho, Civita, Frias, entre outros. As dívidas tributárias foram renegociadas em prazos e condições de extrema generosidade. Empréstimos do BNDES e demais instituições públicas foram concedidos aos grupos em operações de subsídios bastante benevolentes.





















