Por Breno Altman, em seu blog:
Guardadas as devidas e gigantescas proporções históricas, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, está diante de seu Brest-Litovsk.
Explico-me.
Quando a revolução socialista foi vitoriosa na Rússia, em outubro de 1917, o país estava mergulhado na primeira grande guerra, que havia destruído praticamente toda a infraestrutura e ceifado milhões de vidas.
Uma das grandes bandeiras de Lênin e seus companheiros, então, era a decretação unilateral da paz, associada a um chamamento para que os trabalhadores de toda a Europa se levantassem contras as burguesias de suas próprias nações.
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terça-feira, 14 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
Solidariedade à Grécia, um país sob chantagem e ingerência
Por José Reinaldo Carvalho, no Portal Vermelho
Uma catástrofe se abateu sobre o povo grego, vítima de uma crise econômica, financeira e social que tem por causa as políticas neoliberais antipopulares da União Europeia e dos organismos financeiros internacionais, à frente dos quais está o famigerado Fundo Monetário Internacional (FMI), que já fez muitos estragos por aqui.
Uma catástrofe se abateu sobre o povo grego, vítima de uma crise econômica, financeira e social que tem por causa as políticas neoliberais antipopulares da União Europeia e dos organismos financeiros internacionais, à frente dos quais está o famigerado Fundo Monetário Internacional (FMI), que já fez muitos estragos por aqui.
O país é vítima de inaudita chantagem, a tal ponto que um procedimento trivial numa ordem minimamente democrática – a consulta à população mediante plebiscito – torna-se alvo de anatematização por parte daqueles que se especializaram nas artes do intervencionismo e da agressão militar contra outras nações e povos, em nome da “democracia”.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Por que é preciso punir Atenas?
Por Roberto Savio, no site Outras Palavras:
Cinquenta anos de Guerra Fria e o fato de a chanceler Angela Merkel ter crescido na então Alemanha Oriental podem possivelmente explicar a curiosa influência política que os Estados Unidos exercem sobre a Europa.
Depois de uma reunião bilateral entre Merkel e o presidente estadunidense, Barack Obama, durante a cúpula do Grupo dos Sete (G-7) países mais ricos, na localidade alemã de Elmau, em 7 e 8 de junho, soube-se que houve uma solução de compromisso. A governante alemã aceitou que a União Europeia (UE) continue aplicando sanções à Rússia, o que induziu os demais países a segui-la. Em troca, Obama mudou a posição de Washington a respeito da ajuda econômica à Grécia.
Cinquenta anos de Guerra Fria e o fato de a chanceler Angela Merkel ter crescido na então Alemanha Oriental podem possivelmente explicar a curiosa influência política que os Estados Unidos exercem sobre a Europa.
Depois de uma reunião bilateral entre Merkel e o presidente estadunidense, Barack Obama, durante a cúpula do Grupo dos Sete (G-7) países mais ricos, na localidade alemã de Elmau, em 7 e 8 de junho, soube-se que houve uma solução de compromisso. A governante alemã aceitou que a União Europeia (UE) continue aplicando sanções à Rússia, o que induziu os demais países a segui-la. Em troca, Obama mudou a posição de Washington a respeito da ajuda econômica à Grécia.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Syriza e Podemos estão em xeque
Por Boaventura de Sousa Santos, no site Outras Palavras:
Escrevo de Atenas, onde me encontro a convite do Instituto Nicos Poulantzas para discutir os problemas e desafios que enfrentam os países do sul da Europa e as possíveis aprendizagens que se podem recolher de experiências inovadoras tanto na Europa como noutras regiões do mundo. Convergimos em que o que se vai passar nos próximos dias ou semanas nas negociações da Grécia com as instituições europeias e o FMI serão decisivas, não só para o povo grego, como para os povos do sul da Europa e para a Europa no seu conjunto.
Escrevo de Atenas, onde me encontro a convite do Instituto Nicos Poulantzas para discutir os problemas e desafios que enfrentam os países do sul da Europa e as possíveis aprendizagens que se podem recolher de experiências inovadoras tanto na Europa como noutras regiões do mundo. Convergimos em que o que se vai passar nos próximos dias ou semanas nas negociações da Grécia com as instituições europeias e o FMI serão decisivas, não só para o povo grego, como para os povos do sul da Europa e para a Europa no seu conjunto.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
A mídia de joelhos na Grécia
Por Valia Kaimaki, no jornal Le Monde Diplomatique-Brasil:

Os Estados Unidos, leilões lançados em novembro de 2014 e destinados a atribuir cerca de 1,5 mil frequências do espectro hertziano atingiram US$ 45 bilhões [1]. Nada comparável à Grécia. Ali as redes de televisão e de rádio privadas dispõem de licenças ditas “provisórias” desde 1989. E não pagaram um único centavo ao Estado.
Há alguns anos, o jornalista Paschos Mandravelis resumia assim a situação: o funcionamento dos meios de comunicação gregos não se inscreve no quadro de um mercado da informação, e sim no de um “mercado da política” [2]. A proximidade entre esses dois mundos surgiu, aliás, em plena luz do dia, em novembro de 2011, quando o diretor do jornal diárioTa Néa, Pantelis Kapsis, deixou o cargo para se juntar ao governo de Lucas Papademos, um ex-banqueiro. Como ressaltou na época o jornalista Nikos Smyrnaios, a família Kapsis nem por isso desaparecia da imprensa: Manolis, o irmão de Pantelis, “atua[va] todos os dias no jornal televisivo da Mega Channel, onde, como comentador político, apoia[va] esse mesmo governo” [3].
Os Estados Unidos, leilões lançados em novembro de 2014 e destinados a atribuir cerca de 1,5 mil frequências do espectro hertziano atingiram US$ 45 bilhões [1]. Nada comparável à Grécia. Ali as redes de televisão e de rádio privadas dispõem de licenças ditas “provisórias” desde 1989. E não pagaram um único centavo ao Estado.
Há alguns anos, o jornalista Paschos Mandravelis resumia assim a situação: o funcionamento dos meios de comunicação gregos não se inscreve no quadro de um mercado da informação, e sim no de um “mercado da política” [2]. A proximidade entre esses dois mundos surgiu, aliás, em plena luz do dia, em novembro de 2011, quando o diretor do jornal diárioTa Néa, Pantelis Kapsis, deixou o cargo para se juntar ao governo de Lucas Papademos, um ex-banqueiro. Como ressaltou na época o jornalista Nikos Smyrnaios, a família Kapsis nem por isso desaparecia da imprensa: Manolis, o irmão de Pantelis, “atua[va] todos os dias no jornal televisivo da Mega Channel, onde, como comentador político, apoia[va] esse mesmo governo” [3].
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